Perene

Thursday, December 29, 2005

O Assalto

O apartamento era de classe média baixa, de decoração simples e aconchegante, o casal proprietário jovem, bonito, casado fazia três anos. Ele moreno, cabelo baixo, liso, 1,80m de altura, expressão e atitude sérias, apenas na intimidade conjugal era bastante libertino, não conhecia vergonha nem limites.
Ela também morena, olhos e cabelos negros liso, 1,68m de altura, sorriso fácil e comportamento espontâneo. Teve uma criação controlada e padronizada por seus pais; até conhecer David, seu primeiro e único namorado, sexo era tão somente o que sabia dos livros escolares.
Após as preliminares do namoro, o aquecimento do noivado e finalmente a cerimônia do casamento é que Raquel realmente conheceu o sexo pelas mãos de seu professor e marido.
Justamente David que era exibicionista e agressivo e no início ela temeu por desvios psicológicos do marido; sofria com sua própria inibição, mas com o passar do tempo, aderiu espontaneamente aquele comportamento e deixou-se fantasiar com os devaneios dele.
Muitas vezes, quando fazia amor em motéis, Raquel confessava aos ouvidos de David seu relacionamento com amantes viris, fisicamente fortes, que a pegavam a força pelos cabelos e a obrigava a práticas anormais.
A estória dos amantes imaginários foi de iniciativa dela e que deu certo porque deixou David excitado. Certa vez, ainda no motel, ela saía do banho e David a chamou até a sala de jantar aonde ela chegou completamente despida e ficou frente a frente com o garçom por alguns segundos e voltou correndo para o quarto.
A cena, provocada pelo David, o deixou excitado e Raquel momentaneamente zangada, mas feliz com o desempenho do marido após aquele ato, e, mais uma vez ela embarcou naquela louca fantasia.
Agora eles estavam sentados no sofá de seu apartamento, trajando roupas íntimas e assistindo um filme na TV, quando alguém bate à porta. Raquel olha pelo olho mágico e vê do outro lado uma jovem trajando um macacão curto sob um avental com a inscrição “Flor do Campo” e portando um lindo e grande buquê de flores silvestres.
Ela abriu a porta protegida com a corrente de segurança, mas não foi possível resgatar o presente. Tornou a fechar a porta e livrou-se da corrente, abrindo-a definitivamente. Num gesto rápido e brusco, entraram a jovem portando as flores e mais três homens que estavam fora do alcance de visão do olho mágico.
O que estava armado com uma pistola era alto, magro e parecia comandar os demais: “Clarinha, olhe nas gavetas do quarto...” “Pé de Mesa, reviste os móveis da sala...” “Batuta, amarre as mãos do cara na grade da cama com as gravatas...”
Caminhou na direção de Raquel, pegou-a pelos cabelos e perguntou: “Onde estão o dinheiro e as jóias?...” Raquel nervosa e trêmula disse que o dinheiro que tinha em seu poder era um pouco mais de trezentos reais e as jóias eram dez ou doze peças de bijuterias.
“Chefinho, o que eu encontrei foi isso...” disse Clarinha chegando do quarto com o dinheiro e as peças nas mãos. “Ora bolas...” gritou Chefinho. “Tanto risco e perda de tempo por essa mixaria... Vamos embora!...” “Chefinho, acho melhor dá um tempo pra o movimento lá fora diminuir e a gente sair numa boa...’ disse Batuta, se referindo ao trânsito dos moradores do prédio. ‘Tem razão...” falou Clarinha, acrescentando: “Enquanto isso Chefinho, deixe diverti-me com aquele gato amarrado lá no quarto. Ele é meu tipo favorito...”
Chefinho fez sinal positivo e levou todos para o quarto, alegando que gostaria de ver Clarinha se divertindo.
O quarto ficou pequeno para seis pessoas, mas as cenas a se seguir seriam de ruborizar até freqüentador das festinhas de Calígula.
Clarinha revelou toda a sua beleza ao, sem cerimônia, despir-se. Mulher de rosto e corpo bonitos e pele branca como sugere seu nome, provocou o pobre David de toda a forma. “Não é justo que apenas dois se divirtam nesta casa...” disse Chefinho já tirando a roupa e sendo seguido pelos demais.
A nudez de Pé de Mesa e Batuta revelou a origem de seus apelidos. Após abusarem de toda a forma e jeito do casal hospedeiro, os meliantes partiram. Raquel soltou seu marido das amarras e implorou que ele não os seguisse e nem fosse a Delegacia de Polícia, para evitar possíveis vexames, já que o prejuízo financeiro era irrelevante e os dissabores morais seriam com o tempo apagados.
Uma hora depois, David, alegando que ia comprar cigarros, trocou as roupas e foi para a rua. Ao chegar no Bar a três quarteirões de seu prédio, viu seus algozes sentados tomando cerveja.Aproximou-se e foi saudado pela quadrilha: “Gostou do serviço?...” indagou Chefinho, sorrindo. “De primeira qualidade. Acho que até Raquel gostou...” respondeu David, acrescentando: “Afiem os instrumentos que, na próxima semana, eu e Raquel vamos precisar de outrO Assalto”.

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