Perene

Friday, December 30, 2005

Confissão

Antigamente uma pasta de plástico guardava os textos manuscritos ou datilografados, carinhosamente por mim lavrados, cuja prática vem de minha adolescência e alguns bilhetes, na verdade, desde minha meninice.
Com o advento do computador (que chique!), a velha pasta, desbotada, com beira e eira arriba, o elástico que a fechava vencido, foi lançada fora sem dó nem piedade.
Seu conteúdo se transformou em arquivos e pastas virtuais, agora vigiados por Rex, aquele cachorrinho eletrônico que não me deixa esquecer a forma correta de escrever a palavra e mesmo assim consigo burlar sua sentinela e atropelar a língua de Camões.
Com acesso fácil e livre aos escritos, Gilcéia, minha esposa, juntamente com Isabel, Ana e Paulo Henrique, meus filhos, me incentivaram a selecioná-los e agrupá-los num livro, alegando boa leitura, portanto usando da prática da sedução e ilusão, em cujo bojo embarquei.
Mea culpa.
Em minha defesa tenho a oferecer o esclarecimento que os textos são fictícios ou mistos, portanto com omissão a datas e infidelidade nas narrações dos acontecimentos históricos, já que não têm cunho didático e os nomes das personagens foram angariados entre parentes e amigos com intenção de homenageá-los sem envolvê-los nos contos.
Outrossim, desejo que este livro tenha a equivalência de uma fotografia dada a um amigo, para que este a coloque, após leitura, em sua estante. Oxalá a foto saia boa.
Qualquer sucesso alcançado credito à minha família que, em contra proposta, dividirão comigo o ônus e dissabores da decepção, sem esquecer Mocinha, cadela multiraça, carinhosa, que deitada aos meus pés, testemunhou por longo tempo a elaboração desse livro, tendo sido alcançada por óbito aos 12 anos, deixando saudades e o Rex, coitado, companheiro paciente e incansável nas buscas e correições.


O autor.

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